quinta-feira, 10 de abril de 2008

De costume abril.

eu queria muito
lhe escrever algo lindo
pensei
matutei
me inquietei
e desisti.
cheguei a conclusão de que
não há beleza que possa
competir com a sua
e é por isso
que eu não sei
e não sei o que escrever
porque não há orgulho
que quebre as pernas
da minha limitada escrita
porque você é linda
e eu sou apenas um poeta
que vê a perfeição
mas nunca criará,
porque palavras
nos ajudam a entender a vida
a levar a vida - levando
mas a vida é quem cria a poesia
e não o contrário de pensar.
eu queria lhe dizer algo belo
e só porque hoje é seu aniversário
mas nem tão por isso
mas porque meu coração é um otário
que se entrega assim:
facinho faceiro e sem rumo.
é um batuque de maracatu
é um samba, um chorinho
é um rodeado...
eu aqui, o coração pirado
e você, tão longe, tão de outro lado.
seguindo o rumo na estrada plana
de um retirante que sabe o seu lugar
mas vive sonhado.
mas não se inquiete
eu estou tranquilo demais
fico longe
longe
longe, rumo longe
para não ser pedra
prefiro ser este que te contempla
porque olhar o belo
nos enriquece os olhos,
e é por isso que é impossível
fechá-los quando anoitece.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poema pobre.

um cara como eu
não merece um amor como teu
jovem assim,
eu preciso viver só pra mim
até o egoísmo
me corroer pelos cantos
até eu perder o desencanto
até eu cuspir e
chorar em prantos
até eu entender que a vida
é amar o simples
e isso só virá depois da sua:
partida.

um coração só é feliz
se um outro coração tiver
e num triz pedir perdão
pela ingratidão do descaso
que rasga a pela
e pede o preço pago
da curva amante
dos nossos lábios
tão equivocados
largados num abismo.

eu vejo você em representações
eu te busco, fecho os olhos
alucinações
dores, catastróficas
do meu drama mal criado
mimado drama
jogado na cama
buscando o espaço buscado
iludindo o orgasmo falso
da solitária:

imaginação...

terça-feira, 8 de abril de 2008

A dialética do meu coração.

Eu quero um amor revolucionário. Daqueles de barricadas. Quero aquela que dará a vida por mim e eu por ela. E ambos pela luta. Quero aquele amor que se incomoda com o comodismo, que não caia no mesmo à esmo, que seja ternura, consciência e sempre busca a libertação de quem esta preso. Eu preciso e sonho do sentimento fiel e livre, daquele que busca a unidade pela carência e falta do outro, que sabe que só há saída juntos, e que a divisão nos enfraquece. Eu preciso é do amor verdadeiro, seja ele de qualquer cor, de qualquer estado, presente ou não, mas que não me deixe só, não ao menos o meu coração. Eu quero a socialização do abraço dela, quero o corpo no meu, sentir o cheiro da luta armada invadir meus poros e me fazer exalar suas próprias necessidades, eu busco é o beijo da reforma agrária, da poesia libertária, do fim dessa distância que corrói o meu sorriso solitário de quem não nega essa contradição injusta. Eu quero é deitar no seu colo e ver o dia clarear socialista.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O nacionalista do sargento não sei do quê.

A vaidade lhe consome,
consumindo tudo que vê.

Ele só compra, ele só quer saber de:
adquirir, tornar-se proprietário.

O egoísmo é tão grande,
que se olhar no espelho é pura:
Contemplação.

Sua visão tão limitada, chega a ser zero
e assim ele vai levando seus dias:
verde e amarelo.

Eu tento levar ele de forma séria,
eu converso, eu dialogo, eu faço amizade
mas ele não entende nada de mim:
está mudo, cego e obcecado por si mesmo.

A vaidade lhe faz dormir,
consumindo tudo que zunir.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quem bom você.

É justo sim: querer depois da tempestade, água fresca
matar a dor num copo de gelo e beijo.

Você me desacorda assim, eu todo arrepiado no frio.
(bom ter ido aí a noite, bom ter vindo aqui também)
te acariciando o rosto à porta, desejos e gracejos.

Quem sabe ou não, nós dois estejamos correndo perigo,
do largo pobre suicídio do tentar no escuro.
E quer saber do mais?
Eu quero tentar é tudo!

Namoro de portão
Esquema de estudos
Casamento demodê
Relacionamento aberto, fechado, e o que mais vier.

Eu quero é morrer arriscando,
e só pelo útil fato de que está itálico na sua bela pele:
Vale a pena tentar...

E eu adoro acordar assim, horizonte despontando a liberdade
nós nessa idade, de costume flácidos aos sentimentos.
Contigo construir aquela velha casa, onde as crianças peralteando
Põem-se a brincar...

Mundo meu no teu, e nós sem eles. Todos em um.
E o futuro desenhado em nossos corações...

Além do mais, se não te amo agora:
tudo seria infortúnio.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Olhos nos olhos.

Olhos nos olhos. Alguns palmos de distância mas meu coração no teu. Eu queria ser você agora. Eu queria que não existissemos se não como um só. Aliás, eu gostaria que ninguém além de nós existisse. E me faria feliz nesta outra noite de insônia te ver para acalantar os meus anseios de menino bobo. Eu que perco, entrego a vitória pela façanha de ficar ao lado teu, porque isto me faz sentido e meus desejos são incontroláveis. Os mesmos sentimentos que machucam neste momento, recolhem as certezas e dá gás a euforia de pensar que nossos corpos se combinam, tão quão água e vinho em dias de ressaca e boêmia estravazada. E será neste sofá azul de ilustrações abstratas, que minha pele suará à lembrar da sua, escorrendo as lágrimas que dedicadas a ti surgem tímidas e geladas pela face que você não quer mais ver, que você a poucas horas atrás dispensou ao fechar sua porta com rapidez e firmeza. E é assim, que cálido e obstruído de mim mesmo, eu vou apenas contemplar o destino sem a presença tua, posto que isso não seria comodismo, pois só há vida neste instante, se você se fizer o início de tudo, os mesmos olhos nos olhos.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Duas peles, uma cor.

Tudo bem, eu saio e tudo fica bem,
é assim, desviando os ruídos – que no fim das contas:
a gente se entende não é mesmo?

Olhe bem meu dengo dentro dos olhos que ficam,
Mas olhe bem. Sinta a brisa sinistra escorrendo
Viaje, e encarnando os dízimos das ondas
que tudo fica assim: à esmo.

Saque nossos grilões
Como quem coragem e força tem.
Diminuindo as possibilidades de trocas,

que nosso amor é cólera, cicuta, leite quente e torresmo, amém.

Oficina literária com Claudio Willer.

OFICINA LITERÁRIA COM CLAUDIO WILLER
ENTRE OS DIAS 1º e 17 DE ABRIL

O Instituto Moreira Salles, em São Paulo (rua Piauí, 844, 1º andar), promoverá nos dias 1, 3, 8, 9, 15 e 17 uma Oficina literária, ministrada pelo poeta Claudio Willer. As inscrições custam R$ 100, com desconto de 50% para estudantes, e devem ser feitas com antecedência diretamente no centro cultural. As aulas acontecem às terças e quintas, das 20h às 22h.
A Oficina trabalhará conceitos e exercícios para estimular a criação literária e a capacidade de leitura a partir dos seguintes temas: 1. Valores poéticos: o que permite que um texto literário seja considerado "bom"?; 2. A imagem poética; 3. Poesia e prosa; a poesia na prosa; 4. Leitura, entendida como expressão oral e como interpretação, percepção de sentidos em um texto; 5. Identidades literárias, afinidades dos participantes com diferentes vertentes, dicções, estilos e modos de escrever.
Textos de autoria dos participantes serão apresentados durante as aulas (em voz alta ou em cópias), examinados e avaliados. Serão recomendadas leituras literárias, de obras poéticas, em prosa e ensaios. A oficina também incluirá o exame de textos considerados difíceis ou herméticos, mostrando ao aluno as várias possibilidades de interpretá-los.

Sobre Claudio Willer – Poeta, ensaísta e tradutor, Claudio Willer nasceu em São Paulo, em 1940. Publicações mais recentes, Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004); Volta, narrativa em prosa (Iluminuras, terceira edição em 2004); preparou Lautréamont - Obra Completa - Os Cantos de Maldoror, Poesias e Cartas (Iluminuras, nova edição em 2005) e Uivo, Kaddish e outros poemas de Allen Ginsberg (L&PM, nova edição de bolso de 2005). É autor de outros livros de poesia e da coletânea Escritos de Antonin Artaud, esgotados. Consta em antologias e coletâneas, brasileiras e em outros países. Seus vínculos são com a criação literária mais rebelde e transgressiva, como aquela ligada ao surrealismo e à geração beat. Ocupou cargos públicos em administração cultural. Presidiu por vários mandatos a UBE, União Brasileira de Escritores. Deu inúmeras palestras, cursos e oficinas literárias. Co-edita, com Floriano Martins, a revista eletrônica Agulha,
www.revista.agulha.nom.br. Mais informações em: www.secrel.com.br/jpoesia/cw.html.

Oficina literária
Dias 1, 3, 8, 9, 15 e 17 de abril;
Terças e quintas, das 20h às 22h
Valor: R$ 100. Estudantes têm 50% de desconto.
As inscrições estarão abertas a partir de 17 de março.
Instituto Moreira Salles-São Paulo
rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis; tel.: (0 xx 11) 3825-2560
Estacionamento gratuito no local
www.ims.com.br

Informações para a imprensa
IMS-SP: Gustavo Garde – (0 xx 11) - 3371-4404/4455 /
gustavo.garde@ims.com.br

terça-feira, 25 de março de 2008

Fazendo sala para as consequências.

Perdido, rumo não.
As garras afiadas se escondem na pele,
os reflexos lerdos, e o tempo castigado.

O violão na cama, o óculos sobre os livros
e sobre mim recai: culpa e solidão.

Tua boca, doce mel de alegria,
eu ia pulando rumo ao teu colo – ensaboado
rastejando pelo caminho, me humilhando pelo destino.
dropado, na rua bêbado e engraçado
falando besteiras para fingir que tudo está bem.

Coitado.
O poder de se estar amarrado, sem liberdade
Só para constar das suas costas
Que não estão tão bem
E foi ladeando a paz que outrora tive inventado
Só porque nem eu e tu, somos alguém...
E só porque os outros são minguados.

Maldita hora em que fui gostar de ti.
Com tanta coisa a se fazer, fui logo me entregar
Rastejar como um guri
Na esperança de um roçar de corpos sincero
Acabei de me afogar – e morri, de forma lamentável.

Morreu inabitado o belo que existia entre nós
Faleceu o endiabrado, sem nunca ter havido voz.
Porque quando ocorreu o diálogo:
Eu frente a você com olhos cansados,
optamos por ficarmos sós...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Alí: ame.

Essa sua personalidade geniosa,
essa sua pele clara – me desfaz:
em pura intensidade nem sempre harmoniosa
eu corro, erro, e sempre quero mais.

Eu pequei, eu sei
e te peço redenção.
podia ser minha salvadora
permitir sumir os pecados e
acabar com a solidão.

Mas acontece que os egos agora estão
À flor da pele, e talvez ali ficarão.
Porque nosso orgulho é forte
Concreto
Intocável
Cristalino
E também é ilusão.

Eu sei. Vejo nos meus sonhos (pobres)
que também sonha comigo.
É só um sonho, é só uma questão.
Talvez da minha mente suja
Tão suja quando pira, pira forte
e vive de paixão.

O amor, o ciúme, o imaginário:
Sensível alçapão...

Essa uma quadra e meia de distância,
tão pequena diante dos nossos valores,
É princípio nato: grandes diferenças, que impedem e matam
as oportunidades que os sentimentos puros:
desatam e põe a mesa, a criação.

Pequena e magra morena,
Nada disso eu queria.
E se me permite correção: tudo eu queria.
Mas não esse fim vão.
Que voa, vento e folha, bagunça os sentimentos.
Voa tão baixo e rápido, que meus olhos viram,
E a madrugada burra que domina, joga longe a estima
daquele que um dia já te dei: possivelmente ficará um tempo seu,

meu idiota, pobre, burro, retardado: coração.

Do outro lado do estado.

Ele disse: vá se foder!
Mas não, ele não queria isto.

A sua saudade era crônica,
dias solitários e ingênuos – de um mar
Amava porque era justamente criança.

Ele manteve: eu não quero me meter!
Mas não pode. Foi preciso olhar e dizer:
um dia eu te amei...

A passagem sônica – da distância
e uma luz com a passagem marcada...
Não sei, mas acho que você estragou tudo.

Desmanchou minhas esperanças no ar
por pura vaidade.
Por um peito peludo de qualquer idade.

E foi indo assim, para esse seu abisminho sem fim
corromper-se em futilidades...

sexta-feira, 21 de março de 2008

Entrevista com Débora Dell'Agnelo

Personalidade à flor da pele, vinte e dois anos de idade e o mundo pela frente. Entrevisto a artista Débora Dell’Agnelo, que não trataremos aqui como apenas artista plástica, mas como artista do mundo das imagens. Débora mora em Curitiba e já participou de exposições coletivas no Bar Era Só o que Faltava, Galeria Adalice Araújo e na Comemoração ao Centenário do Cerco da Lapa – no Paraná.
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G: Débora, fale da sua formação e se você acredita ter estudado o que de fato gostaria.
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D: Gosto muito de Arte. Da maneira como as pessoas se tornam sensíveis ao conhecê-la. Da arte como expressão, pessoal ou com algum intuito social. Comecei a estudar Artes Visuais na faculdade pensando em computação gráfica e pintura. E descobri um mundo diferente do que imaginava ser Arte. Um mundo rico em conhecimento, sensações, artistas e motivos diversos para pintar. Sobre a computação gráfica, descobri minha limitação. E a partir daí me foquei em pintura. E mais uma vez descobri uma paixão: a crítica. Que veio dessa vontade de expressão. Acho que sou bem mais crítica de arte do que artista plástica.
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G: E você chegou a vivenciar um “momento artístico” na sua infância? Daqueles que seus pais diriam: “ela será uma artista quando crescer”?
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D: Não tenho nenhuma recordação sobre isso. Essa história de arte começou um ano antes de eu entrar na faculdade.
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G: Qual preocupação - ou motivo, te levou migrar para a crítica?
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D: A arte contemporânea, muitas vezes me parece subjetiva e fica difícil para o observador entender a intenção do artista sem um conhecimento de sua poética. A minha preocupação é fazer uma ponte entre artista e obra para que o público entenda. Assim, ele (público) poderá, em outras exposições, recordar de trabalhos anteriores do artista e compreender mais facilmente as obras.
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G: Você acredita então que a própria subjetividade do artista tem um cunho concreto, objetivo? Como um discurso?
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D: Claro. O artista tem uma intenção, uma vontade. Quer expressar. Mesmo que essa expressão seja um pouco difícil de compreender a primeira vista. E é importante para público entender essa real intenção do artista, para compreender com clareza as obras.
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G: Qual é a objetividade de Débora?
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D: Difícil de responder... a gente sempre quer tanta coisa... mas objetivo assim só consigo pensar em não me afastar da arte. Não deixar ela de lado.
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G: Atualmente se fala muito em arte independente e alternativa. Estes rótulos já não viraram clichês? Como separar o que é arte alternativa e independente e o que não é?
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D: Acho que a arte independente acontece quando não se quer gerar lucro. A sua única preocupação é o fazer. Isso me parece independente. Mas no fundo tudo depende de alguma coisa. Para fazer Arte você tem que estar inspirado, com sensações para transpor ao trabalho, então depende de fatores desse tipo e independe de mercado se a preocupação não for essa; acho que a preocupação em fazer alguma coisa que fique fora do comum já é alternativa e assim, independente por não querer se prender ao já feito.
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G: Bacana. Bom, para terminarmos, que tal Débora falar sobre a pessoa agora. Não a Débora artista, mas a Débora jovem; de seus anseios e angústias, e de como ela vê o mundo à sua volta?
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D: Bom... a Débora pessoa é sensível, acredita nos sentimentos, pinta por eles. Pinta pela expressão, coloca a dor e o amor na ponta dos pincéis. A Débora é uma explosão, é um monte de coisas juntas. É o que se vê e o que se sente.
-
G: Débora. Agradeço a entrevista.
-
D: Eu que agradeço.
-Entrevista publicada também no site da Editora Inverso.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Soy lo que fuiste (Por Nita Mussa)

Soy lo que fuiste
-
No me sueltes
no me dejes ahora que piso firme los caminos que me mostraste
hace ya tantos años
hace ya toda una vida
no eres solo un ejemplo
también mi compañero
y aliado
cuando me contabas historias de vida, hambre y revolución
me entregaste respuestas
con ellas también me hiciste soñar
imaginar nuevos mundos
conquistar nuevas utopías
solo puedo culparte de eso
de exceso de motivación
de nostalgia por épocas que no viví
por clamar justicia por aquellos que no conocí
por sentir como propio el dolor ajeno
por unirme al llanto de otros
y levantar de vez en cuando la voz y el cuerpo como parte de la rebelión
no me sueltes ahora que te necesito aquí
conmigo
respetando la dirección en que vuelo
sintiéndome libre y atada al mismo tiempo
con tanto por descubrir
ahora que me reconozco en ti
que mis ideas han tomado forma
se transforman en convicciones
y quizá se te escapan del control
pero no quiero culpas
tampoco que me niegues tu mano
quiero que me quieras por lo que soy
soy lo que fuiste
tan igual como ayer
tan distinta como hoy
-
Poesia da Yasna. Amiga querida que faz falta. Daquelas de doer o coração. Te extraño Yasna.

Site da editora Inverso.

Sim. Eu sei que está fora do ar. Mas desta vez não é culpa minha. A coisa toda simplesmente sumiu... Já estou entrando em contato com o suporte técnico. Peço desculpas pelo transtorno e lembro que tem coisas na vida que nem Freud explica e que só Philips faz para você.

Festival de Curitiba - 2008 - Teatro e Poesia

Dentro da programação do Festival de Curitiba/2008, o Teatro da Uninter cedeu duas noites aos poetas e a poeta Luciana Cañete organizou uma edição do Porão Loquax.
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Dia 26 a poetisa Bárbara Lia estará lendo poesias inéditas. Quem estiver por aqui apareça para as duas noites de poesia.
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Projeto idealizado por Mário Domingues e realizado em parceria com Ieda Godoi no Wonka Bar, o Porão Loquax existe desde 2005 e é um dos eventos mais importantes de poesia do estado. Divulgou a produção de poetas locais e permitiu o intercâmbio entre escritores de várias partes do país, além de ter sido palco para o lançamento de diversas obras. Desde 2006 ganhou uma versão itinerante, com apresentação no Mini-Guaíra e agora fazendo parte da programação do Fringe no Teatro Uninter.
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Dia 25 de março 20:30Lucas Haas Cordeiro, nascido em 28/07/1989. Cursando Psicologia na UFPR. Lançou: Sussurro&codeína, em 2006; no prelo: Os mantras no café, de contos.Lindsey Rocha – Escritora e artista plástica. Publicou o livro Nervuras do Silêncio(7 Letras, 2005).
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Ricardo Pozzo - Publicou o livro Transmigrações. Participou do cd Psiconáutica. Participa do Grupo de Escritores Pó&Teias, que lançou livro de antologia homônimo em 2006. Participa da coletânea Poesia de Ponta, editado em Ponta grossa, em março de 2007. Dia 26 de março20h30
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Bárbara Lia – Escritora, poeta, professora de História. Publicou os livros de poesia: O sorriso de Leonardo (Kafka), O sal das rosas (Lumme), Noir (independente) e A última chuva (ME ed alternativas). No prelo, o romance - Solidão Calcinada (Imprensa Oficial do Paraná).Hamilton de Lócco – Músico, compositor, artista plástico. Publicou o livro de poemas Sonífero das Almas (1998).
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Luciana Cañete – Professora de Espanhol, revisora e poeta. Tem poemas publicados na Revista Mural Beatriz e na Idéias.
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Jorge Barbosa Filho - Formado pela Universidade Federal do Paraná em Letras/Licenciatura, atualmente ministra Oficinas de Texto, Criação e Sensibilização. Escreve a coluna “Diversos” sobre poesia na Revista Idéias, e é o Curador da Revista Etcetera 10 e 11 .
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Todas as apresentações serão no Teatro Uninter, campus Divina Providência, com entrada franca.
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O Festival de Curitiba/2008 começa no dia 20 e se estende até o dia 30/03.http://www.festivaldeteatro.com.br/ftc2008/festival-de-curitiba.asp

Difícil hein...

Noite regada à Pearl Jam, cigarros, filmes de guerra e muito solidão. A culpa é tua.
Acho mais fácil ver a paz no Oriente Médio, a segunda Revolução Socialista, o fim do racismo, um governo revolucionário, o fim da fome, do que ser amado.
Às vezes me questiono sobre as possibilidades... será que ainda há tempo? Será que as trocas serão justas? Porque quem eu gosto escapa entre os dedos? Porque quem eu me interesso se mostra outro alguém tão logo eu me entregue? Não será idealização minha acreditar no amor? E ai eu bebo. Tequila é uma boa pedida.

quarta-feira, 19 de março de 2008

T-Bone Cultural - agenda de quinta feira dia 20

Programação para quinta-feira, dia 20, a partir das 20 horas, T-Bone Cultural ...
GUSTAVO DOURADO, CRISTOVAM BUARQUE, TIMM MARTINS, MARCOS FREITAS
Participação especial: Quarteto de Brasília e Marcelino Cruz.
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AÇOUGUE: SCLN 312 Bl B Lj 27 Brasília-DF CEP 70.765-520 Tel: +55 (61) 3274-1665 / 3347-4906
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As comemorações dos dez anos das Noites Culturais T-Bone tornam-se a cada quinta-feira um ponto de referência cultural para escritores, leitores e militantes culturais em Brasília.
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Confira aqui a programção para o dia 20/03:
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APRESENTAÇÃO MUSICAL:
QUARTETO DE BRASÍLIA - Quarteto de cordas de formação erudita, que transita também pelo popular. Fundado em 1986, já realizou turnês pelo Brasil, EUA, Mercosul, Ásia e Europa e foi laureado com os Prêmios Sharp, Fundação Ok, Ordem do Mérito Cultural do DF e IX Prêmio Carlos Gomes como destaque em música de Câmara de 2004. Participou dos principais Festivais de música do Brasil. Sua discografia inclui oito títulos, com obras de Villa-Lobos, Ravel, Dvoràk, Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Clássicos da MPB, Henrique Oswald, Luis de Freitas Branco, Arthur Bliss e Glinka.
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LANÇAMENTO DO LIVRO: "Raia me fundo o sonho tua fala", pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, no Rio de Janeiro.
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MARCOS FREITAS – Natural de Teresina, Piauí. Engenheiro Civil. Poeta, contista e tradutor. Participa do Coletivo de Poetas, em Brasília. Publicou os livros "A Vida Sente a Si Mesma" (2003), "A Terceira Margem Sem Rio" (2004), "Moro do Lado de Dentro (2004), "Quase um Dia" (2006), "Na Curva de um Rio, Mungubas" (2006). Participou de dezenas de Antologias de Poesias e Contos. Inéditos os livros "Staub und Schotter" (poesias em alemão, inglês, italiano, espanhol e francês), "Amores fora dos eixos" (romance) e Barrocão (romance). Premiado em 3º lugar no Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, em 2006. É editor da Revista Eletrônica "emverso&pros@" <http://emversoeprosa.blogspot.com
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GUSTAVO DOURADO – Formado em Letras/Comunicação pela UnB, em 1985. Publicou onze livros, entre eles: Phalábora-Shambhala , pela VGE/AVBL, (1997/2001); Linguátomo-Ybez, em 1991; Tupinambarbárie?- Yônix, em 1984; Cordëli@ (web), em 2007. Ganhou vários prêmeos: Unesco - World Poetry Day (2001/2007); AVSPE (2006/2007); Melhores do Mundo (2005/2008); IWA International (2007). Ganhou vários prêmeos internacionais: Unesco - World Poetry Day, em 2001/2007; Unesco - World Portal Libraries, em 2005; Xicoatl/Yage-Áustria, em1992. Representante da União Brasileira de Escritores. Site: http://www.gustavodourado.com.br
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TIMM MARTINS – Músico, escritor e ator por formação. Um artista múltiplo que tem em sua cidade a fonte de sua inspiração: o céu, o cerrado, a gente. Entre outras atividades, é sócio e voluntário da OnG Greenpeace e Diretor de Projetos Especiais do Sindicato de Escritores de Brasília-DF. Publicações: "BAM! Poesia pra quem tem, entre um par de ouvidos, cérebro!", pela Litteris Editora no RJ (1998); "20 Poetas Contemporâneos da Língua Portuguesa", pela Usina de Letras de SP (2005) ; "FLUXO & REFLUXO", pela LGE EDITORA, (2007). www.timmmartins.com.br
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CRISTOVAM BUARQUE - Senador pelo DF, educador e professor universitário brasileiro. Graduado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco (1966). Ex-reitor da Universidade de Brasília, ex-governador do Distrito Federal (1994). Autor de dezenas de livros, tem inúmeros artigos publicados e foi consultor de diversos organismos nacionais e internacionais no âmbito das Nações Unidas (ONU). Foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura de 1995, na categoria Ciências Humanas. A intenção de promover uma "revolução... pela educação" é uma idéia que segue a linha de pensamento de importantes intelectuais brasileiros, como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.
Exposição de artes plásticas:
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MARCELINO CRUZ - Artista Plástico graduado pela Universidade de Brasília – UnB, em 1999. Professor de Arte - Secretaria de Estado de Educação – GDF.
Apresentação: Mímico Miquéias Paz
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segunda-feira, 17 de março de 2008

Liberdade vigiada.

As grandes corporações continuam sua saga de exploração. Nós, reduzidos a consumidores e mão de obra barata – quando não bala de canhão, ficamos com o resto, que eles, a burguesia, insistem dizer que nos é muito. Na Tv da mídia pornograficamente vendida para os interesses do capital, vemos um espetáculo de “fatos” vindos das mais longínquas “ditaduras” (atrasadas?) dos países vizinhos – tão próximos e tão longe. Tudo banalizado. Nada escapa. Nem esporte com os passes supervalorizados para limpar dinheiro sujo do trafico de drogas escapa. Tudo. A cada troca de professores em nossas universidades surge um ator com a cartilha da reprodução, da teoria da reprodução, ideologicamente traçada para reproduzir, e apenas isto. As escolas já são depósitos de crianças, que se amontoam, aonde aprendem a roubar, mentir e onde são ensinadas a manter tudo como está, pois ninguém lhes motiva a mudar. Uma rede de conformismo que vai da casa à rua, da rua à mente. A cada ocupação dos trabalhadores sem terra o ministro da agricultura arranja um motivo para distribuir dinheiro vivo aos latifundiários, hermanos de las haciendas. A cada mobilização estudantil a privatização dos espaços públicos é empurrada goela abaixo da pobre classe que só quer seus filhos capacitados. Os que desejam apenas sobreviver... esses nem vaga tem. Eu fadado de bestialismos. E o pior, é que a cada investida contra o que me oprime, dez se levantam para dizer que não adianta. Mas o que fazer? O que fazer quando são nossas vidas que estão em jogo? Quando a água que nos mantém vivos está suja e restrita? Quando a renda que deveria ser justa, está com sua maior parte nas mãos de uma pequena minoria? O que fazer quando nações inteiras são subjugadas à interesses petrolíferos, políticos, religiosos e da vaidade? O que fazer quando a violência toma conta a ponto de igualarem polícia, bandidos, políticos e o vizinho ao lado que mata um índio por achar que era bandido ou espanca uma trabalhadora porque achava ser prostituta? É melhor o silêncio? Será que teremos o direito ao silêncio onde nascemos programados para dizer nada?

Pinella.

PinellaPor Jorge Pousa/ RUbén Pinella - Tuesday, Mar. 11, 2008 at 8:13 PM (Retirado do site do CMI Argentino)

Agenda: Diálogo inútil do abismo com a queda.



A Cia de Orquestração Cênica convida para a reestréia de Diálogo Inútil do Abismo com a Queda, peça inspirada em Beckett que utiliza a linguagem dos HQs e cartuns para narrar a história de um casal de velhos que estão juntos há 350 anos e voltam ao local em que casaram para se separar. No dia 20/3, data da reestréia, a entrada será franca (retirar convite com ao menos meia hora de antecedência).

Direção e texto: Cesar Ribeiro
Com: Ulisses Sakurai, Ruy Andrade e Paulo Campos

20/3 a 5/6
quintas-feiras 22h30
Duração: 60 minutos

Espaço dos Satyros 1
Praça Roosevelt 214/3258.6345

R$ 20 (meia entrada para estudantes e classe artística. Mas se você não pertence a nenhum desses grupos e quer pagar
meia entrada, mande email com seu nome e de seus convidados pedindo para entrar na LISTA CAMARADA. Os descontos estarão disponíveis
no ato da compra do ingresso durante toda a temporada)

Mais informações:
Boteco do Ribeiro
http://ciadeorquestracaocenica.zip.net

Por você nem tanto.

Tentei mudar
Eu juro.

Mas você acima de mim, nem viu.

Seus objetivos tão diferentes:
Reduzem-me

E ele: tão viril...

Não tenho a pretensão de te igualar,
Não tenho a pretensão de me projetar.

Mas nem por isso vou contar os porcos no jardim.

E se duvidas minha cara amiga: lance-me uma moeda,
Das suas menos valiosas, e verá a briga (entre os cães).

Tão logo isto me faça sentido
Eu opto pelo mesmo: isolamento
Meu - remédio - minha droga, minha saída racional.

Tentei mudar.
Mas...
mas não juro mais...

Sem nome e autorização.

Abaixo texto da Lola. O texto não tem nome, e tão pouco autorização para ser reproduzido aqui. Mas depois eu me entendo com a autora... O link para o site da Lola está logo alí no "Pra sua informação". Indico sim e sem restrições de consumo.
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Seis anos tinha o menino que foi correndo pra lavoura a procura do pai. As mãos uma fechadinha na outra, parecia esconder um segredinho. Ao se aproximar fica paralizado em frente a enxada. O que foi, diz o pai. O menino fica quieto. E continua quieto. Vai abrindo as mãozinhas aos poucos. O pai estremece. O pequenino se assusta com a reação e começa a se defender, "eu só queria ver a pedra se partindo. Não sabia que era tão forte", enquanto o sangue reluzia sob o sol.

Quando queimam as bibliotecas.

Caros, reproduzo abaixo texto de Felipe Fortuna do Caderno Idéias e Livros do Jornal do Brasil. O contato com o autor pode ser feito pelo e-mail felipefortuna@felipefortuna.com . Agradeço ao Felipe por liberar a reprodução do texto aqui no Blog.
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QUANDO QUEIMAM AS BIBLIOTECAS
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Tudo é possível quando a política se une à barbárie – incluindo-se a publicação de um livro e a queima de uma biblioteca. Cada um de nós reagirá de modo previsível diante do lançamento editorial e do ato de vandalismo: respeito e admiração por um, horror e repulsa pelo outro. Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, “De Quem é o Erro?”, Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente: “Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (...) Uma biblioteca é um ato de fé (...) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (...)” Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: “Eu não sei ler.” Subitamente, todo o poema se transforma numa composição irônica na qual a força moral do poeta torna-se oca diante do descaso da sociedade em relação a um analfabeto, que reagiu e se vingou a seu modo.
Por associação, lembrei-me do poema enquanto lia um ensaio perturbador, “Por Que Queimamos as Bibliotecas?”, que trata das violências sociais contra a cultura escrita. Seus autores são dois sociólogos franceses, Denis Merklen e Numa Murard, estudiosos dos recentes episódios de revolta popular que atingiram os subúrbios de Paris – e, especialmente, as bibliotecas de bairro. Eles explicam que, desde 2005, dezenas de bibliotecas foram atacadas e destruídas por moradores do lugar, e se perguntam qual seria o alvo nos casos em questão: uma instituição pública? um prédio que representa o poder ou a República? Essas questões conduzem os sociólogos, por fim, à interrogação decisiva: o que significa, para os vândalos, uma biblioteca?
Imaginei que, tal como aconteceu no poema de Victor Hugo, os responsáveis pelo incêndio seriam chamados a falar, para que pudéssemos conhecer sua motivação. Seriam eles “analfabetos” ou cidadãos “que não sabem ler” e protestam, então, contra os poderosos “iletrados” que se encontram do lado oposto? Não escapa aos sociólogos a quantidade de contradições acumulada no ato de destruir: pois, embora trazida pela municipalidade, a biblioteca oferece algum prestígio ao local. No caso de um país como a França, a biblioteca também se ocupa de abrigar a cultura de diversas etnias, e assim há livros em árabe, em línguas asiáticas e em espanhol nas prateleiras. Trata-se, pois, de um espaço de afirmação individual – a servir até mesmo às mulheres, que encontram na biblioteca, muitas vezes, um modo de escapar ao controle patriarcal.
Aparentemente, contudo, “as bibliotecas são percebidas às vezes como uma força social vinda do exterior”. Ou seja: o espaço de leitura atuaria como a imposição de uma ordem sobre a outra, pela qual até mesmo a disciplina, o isolamento e a interiorização que caracterizam a relação do corpo com o livro se opõem à cultura da rua – que se manifesta pelos protestos do rap, do hip-hop e por agitações e movimentos ruidosos. Nesse sentido, o Estado promoveria um “espaço de virtude” contrário aos desarranjos sociais. Pior ainda: como se fossem a repercussão do poema de Victor Hugo, os ataques recentes às bibliotecas são executados pelos excluídos dos empregos e das escolas, que se sentem ameaçados pelo poder estabelecido a partir do domínio da palavra escrita. Ou como exclamou um cidadão entrevistado para a pesquisa sociológica: “Me dê trabalho no lugar de bibliotecas!”.
Infelizmente para os que se horrorizam diante da queima dos livros, os protestos nos subúrbios de Paris demonstrariam que uma biblioteca pode ser apenas um presente estatal com vistas a serenar os conflitos da sociedade.
Termino a leitura do ensaio em estado de perplexidade: sou de um país onde as bibliotecas são historicamente atacadas não por incendiários populares, mas pelo contínuo abandono e pela escassez de recursos financeiros e humanos. Em vez de fogo, há mofo, poeira, descaso e obsolescência. Na minha infância, por mais que insistisse, não havia biblioteca pública habilitada a estimular a leitura ou alguma vocação. Estudei numa faculdade federal cuja biblioteca, segundo me relatam, foi indignamente surrupiada: pilharam-lhe, por exemplo, edições raríssimas de Luís de Camões e primeiras edições de Machado de Assis, em meio a goteiras e infiltrações. Portanto, se houvesse necessidade de uma agitação social, no caso em questão, creio que teria caráter paradoxalmente construtivo: as pessoas exigiriam locais adequados de leitura, em vez de incendiá-los. E existem iniciativas assim, freqüentemente focadas pela mídia como excentricidades: o pedreiro que mora num subúrbio carioca decidiu transformar a sua casa em biblioteca, pois considera que “o livro transmite a vida”; em Brasília, um comerciante estabeleceu um sistema bem-sucedido de empréstimos grátis de livros em pontos de ônibus.
Mas algo ainda me inquieta nessas histórias de vândalos e bibliotecas. Trata-se, em poucas palavras, de uma advertência que encontrei num ensaio justamente intitulado “Alfabetização Humanista”, incluído por George Steiner em seu livro Linguagem e Silêncio (1967). O autor indica que estudará “linguagem, literatura e o inumano”, e se mostra pessimista quanto ao valor de uma cultura literária e humanística: “O grau máximo de barbárie política desenvolveu-se no cerne da Europa. (...) Sabemos que alguns dos homens que conceberam e administraram Auschwitz foram educados lendo Shakespeare ou Goethe, e continuavam a lê-los. Isso tem uma óbvia e assustadora relevância para o estudo ou ensinamento da literatura.” Para o crítico, haveria “uma contradição entre o teor de inteligência moral desenvolvido no estudo da literatura e aquele necessário ao discernimento social e político.”
O que fazer? Estaríamos sob o ataque dos que não sabem ler, dos que não querem ou não podem ler, e dos que sabem ler e não se importam com os valores humanistas essenciais. E é por isso que as bibliotecas queimam – e, em casos extremos, as pessoas também
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domingo, 16 de março de 2008

Algumas dores.

A partida, solitária – rumo: longe
Cinco idéias, não mais que à distância.
No autofalante do micro-computador móvel
- uma música que lembra você
uma tal dor inevitável: que arde.

As sensações do caminhar – in areia de gelo:
um concreto piso tenebroso de sons cálidos
(um assopro na noite, no coração despedaçado em mil)
Todos os tempos: você, você e você.

O ritmo aumenta lentamente,
Enquanto nós: desfazemos e acontecemos-
Em trinta dias de fogo e gelo: luta e calma
(amor e ódio)

Cinzas, plurais e constantes – que voam sobre nós
Uns gemidos em lembranças:
que marcam a pele...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pousa.



Pousa Por Jorge Pousa/ RUbén Pinella - Tuesday, Mar. 11, 2008 at 8:13 PM (Do site do CMI argentino)

quinta-feira, 13 de março de 2008

O medo dos ignorantes.

A internet de fato revolucionou muita coisa. Entre tantas, está a possibilidade de se escrever o que quiser, e dispor o escrito para todo o mundo. Mas há quem se incomode com isso. Diante de tantas revistas eletrônicas que se titulam “revistas literárias”, podemos ouvir vozes que reclamam da falta de “critério literário”. Estas vozes, em grande parte acadêmicas, parecem mais latidos em mês de agosto. Partem de “detentores” do conhecimento intocável, que Cérberos da “intelectualidade”, acham mesmo cumprir uma função digna ao “proteger” o status quo da “literatura para poucos”.
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Não acho sinceramente, que qualquer coisa escrita seja literatura. Obviamente, existem requisitos formais para o estabelecimento de um poema, um conto, ou qualquer outro texto literário. Entretanto, os milhares de blogues que hoje estão no ar, nada mais são além dos caderninhos que nós mesmos, adolescentes até pouco tempo atrás, usávamos para nossos rabiscos, como forma de expressão dos nossos pensamentos – sejam eles maduros ou não (mas quase fruto de nosso próprio tempo – sem as tecnologias hoje tão acessíveis). Lembro-me de quando minha mãe reclamava que eu ao invés de copiar a matéria em sala de aula, usava meu caderno para ficar rascunhando qualquer coisa, com poemas, micro-contos, pensamentos ou devaneios de qualquer ordem. Por isso, questiono: quem somos nós para abrir a temporada de caça aos escritos na internet julgando-os ruins ou bons? Quais seriam os critérios de análise do belo e do feio? E por fim, será que estaríamos valorizando a boa literatura e motivando os iniciados a assumirem uma responsabilidade maior com o estudo do nosso idioma a fim de avançarem na sua escrita?
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Acontece que, em décadas passadas, mas recentes, a literatura tinha seu espaço em grande parte dos veículos de comunicação. Autores como Clarice Lispector projetaram-se a partir de seus fragmentos em jornais e revistas. Mas hoje, aonde está a literatura na mídia? Mais especificamente: aonde está a literatura na mídia impressa? Praticamente sumiu. As exceções nos impedem a generalização, mas a situação nos permite sim, dizer com toda a tranqüilidade – ou inquietação, que a mídia perdeu seu interesse pela literatura, e que, quando tem, o faz por sua relação íntima com o mercado editorial pornograficamente prostituído da literatura burguesa. Basta entrarmos numa livraria de médio ou grande porte, para nos depararmos com estantes cheias de “auto ajuda” - como Farmácias de chocolates. A literatura à serviço da alienação, esta sim, está em todos os cantos. Outdoors, colunas “cult” de revistas e jornais “pensantes” e nas indicações de pseudo-intelectuais dos programas de auditório, como o Faustão, que agora deu para indicar leituras em meio à burrice do Domingão. E pasmem: essa literatura, nada inteligente, é que é a moda da vez, em detrimento da escassez dos clássicos, que estes sim, nos ajudavam a formar opiniões independentes e suficientes de si mesmas. Mas com que intenção? Não precisamos nem responder...
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A perspectiva com o boom da escrita na internet é ampla, maravilhosamente enriquecedora. Se antes pensávamos que o problema era a falta de escrita, hoje vemos que o problema é a escrita em demasia. Mas para que se preocupar com isto? É saudável sim que muitos escrevam, e que a partir da seleção dos próprios leitores, os escritores se incomodem com a qualidade de seus textos. Se em uma mídia monopolizadora, um Jô Soares pode ser uma referência de conhecimento ambulante, na internet este mito se desfaz. Pois para garantir um público, o escritor “blogueiro”, irá buscar qualificar sua obra. Se queremos voltar aos tempos áureos (que nunca existiram) de uma produção literária boa, e em massa, temos é que permitir que se escreva, e lutar não para barrar a escrita, mas para impedir que governos façam coisas idiotas como pretensas “reformas” no idioma, quando nem o que se está ai para aprender, é ensinado. Por falar nisso, já pensaram na quantidade de dinheiro que as editoras iriam ganhar com as mudanças no idioma assim que começassem a reimprimir seus livros? Mas isso é assunto para outro artigo... Aqui quero tratar especificamente do medo que os “donos da escrita” sentem ao verem seu “patrimônio” tão bem guardado esfarelar-se diante da ruptura que os tempos contemporâneos estão proporcionando à comunicação. A questão não é simples. Não podemos banalizar a discussão, precisamos sobretudo problematizar a situação a partir dos elementos que nos surgem aos olhos – como um grito (por toda a sua intensidade), ao mesmo passo que não seria válido o fazer sem também vasculhar por novas informações que enriqueçam o debate. Como detetives, historiadores, analistas e críticos permanentes do mundo que está a nossa volta, e neste caso, o mundo literário (que está intrinsecamente relacionado com a humanidade nos seus mais amplos aspectos), devemos infantilmente questionar tudo que for possível e que não nos convencer. Neste anseio, o de buscar entender o que está acontecendo, é que se torna preciso compreender primeiramente a nossa condição social, para que entendamos o porque a burguesia, ou para os ouvidos mais sensíveis as “classes dominantes”, tentam tanto nos empurrar a falta de literatura ou a literatura emburrecedora. Depois, é preciso desmontar os avanços tecnológicos para separar o joio do trigo. Saber enfim, até que ponto a internet contribui para a sociedade, e até que ponto é útil para os mais abastados (os que nem sabem o que é internet afinal de contas). Por fim, sem buscar um método, podemos estabelecer algum caminho (como sugestão apenas – uma experiência), para nos aprofundarmos mais no tema. No próximo artigo – após esta singela introdução, tentarei fazer uma leitura, ainda que genérica – mas apoiada num conjunto coerente de argumentos, da situação dos leitores enfim. Inclusive dos “possíveis” leitores, e também dos que deixaram de ser leitores. Posto que ler é uma capacidade humana que basta um sopro para se desenvolver.

Teatro em Toledo. Como?

HEIIIN??? VITROLA!!!

Velhas lembranças e nostalgia, estes são os sentimentos sentidos pelas pessoas que visitam o teatro municipal no mês de março. Tudo isso por causa da exposição montada pelo grupo Os Amadores Cia de Teatro com capas de discos de vinil arrecadadas na campanha.

Campanha
O grupo iniciou uma campanha para arrecadação de discos de vinil em janeiro deste ano para a montagem do novo painel do espetáculo “Let´s Dance”, que será reapresentado nesta sexta (14/03) no Teatro Municipal de Toledo. O grupo precisava de mil discos de vinil e conseguiu arrecadar 1.200 discos com doações de várias pessoas e empresas.
Durante a triagem dos discos, várias capas foram separadas e selecionadas para a montagem da exposição “Hein??? Vitrola!!!” Que ocorre no hall do Teatro Municipal de Toledo durante o mês de março. A visitação é gratuita e está aberta ao público das 8 horas até as 21 horas até o final do mês de março. Alguns dias as pessoas poderão curtir o som de um velho e bom disco de vinil durante a exposição.

SERVIÇO

O que??? Exposição Hein??? Vitrola!!! (Capas de Discos de Vinil)
Aonde??? Teatro Municipal de Toledo (Hall de entrada)
Quando??? Março de 2008
Horário??? Das 8:00 às 21 horas
Como faço pra ver??? Apenas visitar o Teatro Municipal de Toledo
De quem é??? Os Amadores Cia de Teatro

CONTATO / INFORMAÇÕES
Os Amadores Cia de Teatro (45)9925-6987 Teatro Municipal: 3378-4548
(45) 9968-1325 Márcio Franz (Formiga)
E-mail:
amadores@gmail.com


Os Amadores Cia de Teatro Ltda.(45) 9925-6987 / 9968-1325 / 3278-2681e-mail:
amadores@gmail.com MSN: formiga81@hotmail.com Mostrando a Magia da Arte

* Release enviado pela Carline. Colega imoral de aula
.

I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.

A Capital Federal vai sediar a primeira de uma série de bienais de poesia, integrada às atividades da 27ª Feira do Livro de Brasília. A I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (I BIP) , que será realizada de 3 a 7 de setembro de 2008, contará com a presença de poetas, críticos e editores internacionalmente reconhecidos e incluirá na sua programação diversas atividades simultâneas, que vão de sessões livres de recitais a conferências sobre poesia. O evento reunirá as novas tendências da poesia contemporânea brasileira e internacional que, escrita, falada, cantada, performática, digitalizada e visualizada, vai tomar conta da Praça do Conjunto Cultural da República, do Museu Nacional, da Biblioteca Nacional de Brasília e de muitos outros espaços da cidade.


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http://www.bienaldepoesia.unb.br/releaseespanhol.html

Brasilia será la capital de la poesía en 2008La Biblioteca Nacional y amigos van a realizar la I Bienal Internacional de Poesía en Brasilia
La Capital Federal va a organizar la primera de una serie de bienales de poesía, integrada a las actividades de la 27ª Feria del Libro de Brasilia. La I Bienal Internacional de Poesía en Brasilia (I BIP), que será realizada del 3 al 7 de septiembre de 2008, contará con la participación de poetas, críticos y editores internacionalmente reconocidos e incluirá en su programación diversas actividades simultaneas, que van desde secciones libres de recitales hasta conferencias sobre poesía. El evento reunirá las nuevas tendencias de la poesía contemporánea brasileña e internacional escrita, hablada, cantada, performática, digitalizada y visualizada, va a inundar la Plaza del Conjunto Cultural de la República, del Museo Nacional y de la Biblioteca Nacional de Brasilia.

La I BIP va a ocupar también otros espacios de la cuidad, entre los que se encuentran las salas del Teatro Nacional Claudio Santoro. Con espirito emprendedor, estará presente en locales más distantes, facilitando a los que viven fuera del Plano Piloto el acceso a su programación, por medio de la poesía itinerante. La organización estará a cargo de la Biblioteca Nacional de Brasilia y de la Cámara del Libro del Distrito Federal, contando con el apoyo de la Secretaría de Estado de Cultura y la colaboración de otras instituciones de la administración federal y local, también contamos con el apoyo de entidades de la sociedad civil ligadas a la literatura, como la Universidad de Brasilia, embajadas y empresas privadas.

Proyectos – Están en fase de discusión los siguientes proyectos para la programación: talleres de lectura y de creación poética, de poesía visual e infantil; sección de poesía visual; exposición y tendedera de poesía; banners gigantescon poemas de los escritores invitados; exhibición de documentales, clipes y videos; proyección de textos poéticos en las paredes externas del museo.

Varios concursos están previstos, entre ellos, el de poesía infantil - juvenil, y otros dos destinados a la poesía visual y la multimedia. Seminarios, debates y conferencias; sección de crítica y ensayo; traducción simultanea para los conferencistas; lectura en el idioma oficial y proyección en la pantalla de la traducción son algunas actividades pensadas para integrar ésta 1ª bienal.

También: edición de libro reuniendo textos de los poetas invitados; lanzamientos de diversos títulos; encuentro de editores de libros y revistas de poesía, además de editores de las revistas brasileñas electrónicas y de sitios de poesía; edición de la antología Libro en la Calle, por la Thesaurus Editora, de los autores invitados oficialmente y, edición de libro artesanal (proyecto social con renta destinada para la Abrace). Poesía narrativa y popular de los raperos y cantantes de cordel, además de descarga poético musical.


Traducción de Javier Iglesias
mhtml:%7B855EAF29-BE1E-4527-88E2-215F60D85804%7Dmid://00000139/!x-usc:mailto:javieriglesias@hotmail.com


ExpedienteRealização Conjunto Cultural da República Biblioteca Nacional de Brasília Museu Nacional Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal (GDF)

ApoioUniversidade de BrasíliaSecretaria de Ciência e Tecnologia do GDFCâmara do Livro do Distrito Federal / Sindicato dos Escritores do DF Serviço Nacional do Comércio (Senac)

Organizadores: Antonio Miranda (Coordenador-geral), Liliane Bernardes, Angélica Torres, Sylvia Cyntrão, Elmira Simeão, Valter Silva, Graça Pimentel, Wagner Barja
mhtml:%7B855EAF29-BE1E-4527-88E2-215F60D85804%7Dmid://00000139/!x-usc:mailto:bipbrasilia@gmail.com
mhtml:%7B855EAF29-BE1E-4527-88E2-215F60D85804%7Dmid://00000139/!x-usc:mailto:antmiranda@hotmail.com

http://bipbrasilianews.wordpress.com

Conto de Andréia D. Leal.

Andréia é uma dessas escritoras que devemos ter como influência. Se não por uma afinidade literária, mas sim por fazer presente em nós mesmo o que de bom nossos tempos propiciam na escrita. Recebi esse conto no meu e-mail, é uma homangem aos bibliotecários. Segue abaixo.
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A Bibliotecária
Andreia Donadon Leal
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Os livros estavam devidamente enfileirados nas estantes. Poucos centímetros de distância um do outro. Nenhum torto, fora de foco. As orelhas desamassadas, passadas com chapa de ferro morno. O cuidado era devidamente dado para cada um, sem discriminação. O cheiro da sala, papel. O lugar pouco iluminado, embora o requeresse. Na mesa, ao fundo, uma figura vergada e escondida na pilha de livros para carimbar. Idade avançada. Cabelos cor de prata. Rugas rasgavam ponta a ponta o rosto descorado. Uma vida inteira de cultura, diversão, viagens, um pouco de tudo mostrado pelas palavras imprensas nas páginas dos livros. Clarice estava pouco a aposentar. A preocupação acometia seus últimos dias com a idéia. Quem iria cuidar deles? Os sonhos lhe roubavam o sono; os olhos mais fundos. Os livros, sua vida, arremessados no lixão da cidade. Livros velhos? Antigos e restaurados; relíquias. Nas manhãs a cabeça queria explodir e quase Clarice perdera a hora de trabalhar. A biblioteca da escola não funcionava sem ela. Não abriam. Ninguém sabia mexer com carinho nos livros. Não encontravam a essência da pesquisa. Também só ela dera conta até hoje de livro por livro. As capas que fazia para os que estragavam tiravam exclamações de incredulidade. Ficavam perplexos. Era muito especial. Qualquer pesquisa Clarice dava conta. Ia sempre além, explicava com precisão todos os detalhes. Sabia um pouco de tudo. Com a sacola pesada de livros restaurados entrava diariamente na biblioteca cruzando a mão direita no rosto, rezava pai-nosso e ave-maria. Uma vida dedicada somente ao trabalho e nada mais. Clarice morava três quarteirões da escola. Casa modesta, herdada. A outra única coisa que fizera foi cuidar de sua mãe – morta havia uma década. Cuidado devido de filha exemplar, solteirona e única. Dividia parte de suas horas ora com a mãe, ora com os livros. Dona Gertrudes morrera numa manhã cinzenta de sexta-feira treze. Clarice tinha pavor destes dias, mesmo sabendo que era lenda. O sossego, a paz e o sorriso meigo que sempre faziam parte do seu perfil ficavam tensos. Mas ninguém percebia. A bibliotecária, pessoa muito estimada, querida por todos. Falavam que nem pecado tinha. Nunca arrumara um namoro. Era santa. Diziam que quando a boa dona donzela morresse iria direto para o céu. Em quase trinta anos, Clarice nunca dera uma má resposta, uma palavra feia, nenhum olhar meio torto. Mas o sonho mexia com sua rotina. Seria aviso de morte repentina? Os dias estavam findando para ela? Livros no lixão da cidade! No livro de sonhos consistia informação de algo novo na vida. Para Clarice, novo seria o fim. Deus dar cabo na vida atribulada e solitária. Ponto final. Tudo investido em quatro paredes infestadas de livros. Histórias, informações, um mundo, o segredo da vida impressos nas páginas. A sensação, a mesma de ter vivido com emoção detalhes, aventuras, desventuras... As paixões atingiam um mundo desconhecido para ela. Não abria estas páginas. As mãos iam vez ou outra em contramão com a cabeça. Rezava vários padre-nossos e pedia logo perdão. Mesmo com os livros não recomendados, tinha obrigação de conservá-los. Não discriminava nenhum. Apenas deixava-os de lado. Um outro gosto que não combinava com uma vida afastada dos desejos e maldades da carne. Mundo desconhecido. Um fim de expediente como outro qualquer. Um dia cinzento. Frio. Clarice limpou o último livro. Fechara com cuidado as janelas pesadas de madeira. Antes de sair, mais uma olhada. Uma olhada demorada, apaixonada, precisa. Os livros estavam cada um no seu lugar. Limpos, conservados. Devidamente enfileirados. Alguns estavam sobre a mesa. Estragados, mal conservados. Daria um jeito. Clarice dirigiu-se à mesa. Pensou em juntá-los e levá-los para casa. Antes de dormir teria tempo para arrumar uns três. Pela primeira vez o cansaço venceu. Estava ficando mesmo velha. Tinha que aposentar. Uma dor de cabeça, corpo ruim. Com a idade, a gripe costumava visitá-la mais vezes no ano. E este frio piorava tudo. Em casa tomaria um chá quente. O resfriado iria embora. Ainda com os olhos sobre a mesa de livros, Clarice pensava. Não viu quando um rapaz chegou e ficou olhando para ela. Alheia ao tempo e tudo. Voltou quando escutou um pigarro. Pela primeira vez, corou. Será que o rapaz pensaria que estava esclerosada? Falava sozinha? De vez em quando fazia isto. Costume de vida solitária. Ela, só na sua companhia. Mas, daí? Nunca importava. Não ligava. Ajeitou a postura, prontificou-se. O rapaz, viajante. Hoje iria demorar. O mal estar ficaria para depois. Certamente ele mostraria catálogos e mais catálogos de livros. Compra de livros. Esquecera por completo. O rapaz da editora sentou. Com os olhos puxados e enigmáticos abriu os catálogos. Mãos grandes e unhas bem aparadas. As mãos do rapaz. Clarice imaginou como seria o toque delas. Chegou a esbarrar sua mão. Desconfiou estar com febre. O danado do resfriado desestruturou tudo. O rapaz falava. Voz macia. Dentes brancos. Lábios bem desenhados. Clarice não escutava. Olhava para o rosto dele. Enfeitiçada. Como seria beijar aqueles lábios? O viajante perguntou algo, não respondeu. Não o ouvira. As mãos dele falavam. Tudo que queria era sentir o toque macio das mãos no rosto pálido. Aquelas mãos esquentariam a pele até torná-la corada, sadia. Uma vontade quase incontrolável. Clarice pensou aterrorizada ter pedido ao viajante para acariciar-lhe o rosto. Um toque apenas, por favor. Fechou os olhos. Sentiu o calor das mãos do rapaz. Aquecida. Estava mesmo carente. Esqueceu de oferecer um chá para o viajante. A bibliotecária educada, contida, estava ficando lerda. Velha. O rapaz novamente perguntou. Voz grave, hálito cheiroso. Cheiro de menta. Um sorriso separou seus lábios. Clarice despertou dos pensamentos. Pediu desculpas. A explicação, pouco convincente, o cansaço, a gripe prestes a sair do corpo. O viajante sorriu. Os olhos também sorriram. Separou catálogos. Entregou um a um. Rosou as mãos. Olhou profundamente para ela. Chegou próximo. Mais alto que parecia. Mais bonito. Muito próximo. Clarice chegou a pensar que o viajante iria beijá-la. Fechou os olhos imaginando a cena. Nunca sentira um roçar de lábios e o gosto de uma boca que não fosse a sua. Delicadamente as mãos do viajante passaram pelo rosto dela. Uma fração de segundos. Uma vida inteira, só. Um dia, um desejo. Toque como imaginara: suave, quente, delicado, gostoso... Uma última olhada apaixonada nos livros e com a chave passou a tranca na porta da biblioteca.