sexta-feira, 21 de março de 2008

Entrevista com Débora Dell'Agnelo

Personalidade à flor da pele, vinte e dois anos de idade e o mundo pela frente. Entrevisto a artista Débora Dell’Agnelo, que não trataremos aqui como apenas artista plástica, mas como artista do mundo das imagens. Débora mora em Curitiba e já participou de exposições coletivas no Bar Era Só o que Faltava, Galeria Adalice Araújo e na Comemoração ao Centenário do Cerco da Lapa – no Paraná.
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G: Débora, fale da sua formação e se você acredita ter estudado o que de fato gostaria.
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D: Gosto muito de Arte. Da maneira como as pessoas se tornam sensíveis ao conhecê-la. Da arte como expressão, pessoal ou com algum intuito social. Comecei a estudar Artes Visuais na faculdade pensando em computação gráfica e pintura. E descobri um mundo diferente do que imaginava ser Arte. Um mundo rico em conhecimento, sensações, artistas e motivos diversos para pintar. Sobre a computação gráfica, descobri minha limitação. E a partir daí me foquei em pintura. E mais uma vez descobri uma paixão: a crítica. Que veio dessa vontade de expressão. Acho que sou bem mais crítica de arte do que artista plástica.
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G: E você chegou a vivenciar um “momento artístico” na sua infância? Daqueles que seus pais diriam: “ela será uma artista quando crescer”?
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D: Não tenho nenhuma recordação sobre isso. Essa história de arte começou um ano antes de eu entrar na faculdade.
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G: Qual preocupação - ou motivo, te levou migrar para a crítica?
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D: A arte contemporânea, muitas vezes me parece subjetiva e fica difícil para o observador entender a intenção do artista sem um conhecimento de sua poética. A minha preocupação é fazer uma ponte entre artista e obra para que o público entenda. Assim, ele (público) poderá, em outras exposições, recordar de trabalhos anteriores do artista e compreender mais facilmente as obras.
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G: Você acredita então que a própria subjetividade do artista tem um cunho concreto, objetivo? Como um discurso?
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D: Claro. O artista tem uma intenção, uma vontade. Quer expressar. Mesmo que essa expressão seja um pouco difícil de compreender a primeira vista. E é importante para público entender essa real intenção do artista, para compreender com clareza as obras.
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G: Qual é a objetividade de Débora?
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D: Difícil de responder... a gente sempre quer tanta coisa... mas objetivo assim só consigo pensar em não me afastar da arte. Não deixar ela de lado.
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G: Atualmente se fala muito em arte independente e alternativa. Estes rótulos já não viraram clichês? Como separar o que é arte alternativa e independente e o que não é?
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D: Acho que a arte independente acontece quando não se quer gerar lucro. A sua única preocupação é o fazer. Isso me parece independente. Mas no fundo tudo depende de alguma coisa. Para fazer Arte você tem que estar inspirado, com sensações para transpor ao trabalho, então depende de fatores desse tipo e independe de mercado se a preocupação não for essa; acho que a preocupação em fazer alguma coisa que fique fora do comum já é alternativa e assim, independente por não querer se prender ao já feito.
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G: Bacana. Bom, para terminarmos, que tal Débora falar sobre a pessoa agora. Não a Débora artista, mas a Débora jovem; de seus anseios e angústias, e de como ela vê o mundo à sua volta?
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D: Bom... a Débora pessoa é sensível, acredita nos sentimentos, pinta por eles. Pinta pela expressão, coloca a dor e o amor na ponta dos pincéis. A Débora é uma explosão, é um monte de coisas juntas. É o que se vê e o que se sente.
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G: Débora. Agradeço a entrevista.
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D: Eu que agradeço.
-Entrevista publicada também no site da Editora Inverso.

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